Por Islânia Lima
Esta semana, voltamos a ouvir, no Supremo Tribunal Federal, a discussão sobre a possibilidade de retomar a exigência do diploma de Jornalismo para o exercício profissional.
É importante deixar claro que, até o momento, o diploma ainda não voltou a ser uma exigência obrigatória. Em 2009, o STF derrubou essa obrigatoriedade e, desde então, o tema permanece no centro de um debate importante para a profissão e para a sociedade.
Nós, jornalistas, precisamos olhar para essa discussão com responsabilidade. Sou favorável à exigência da formação específica porque acredito que Jornalismo não é simplesmente publicar informações. É apurar, checar, ouvir diferentes versões, contextualizar fatos, preservar fontes, respeitar o direito à informação e compreender os limites éticos e legais que envolvem o exercício da profissão. É algo imensamente sério de se fazer.
A formação universitária não é uma garantia absoluta de qualidade, mas representa uma preparação técnica e ética fundamental para quem pretende exercer o Jornalismo profissionalmente. Assim como acontece com tantas outras profissões que exigem formação específica, acredito que o Jornalismo também deve valorizar o conhecimento adquirido nos bancos universitários.
Ao mesmo tempo, se a exigência do diploma for restabelecida, é preciso discutir com seriedade as regras de transição para aqueles que ainda atuam na área e foram formados nas redações a partir de 2009, sem formação superior em Jornalismo. É necessário estabelecer critérios claros, justos e transparentes, levando em consideração a experiência profissional, a formação complementar e, eventualmente, mecanismos como provas de habilitação ou avaliação de títulos.
Também defendo a discussão sobre os registros profissionais de jornalista concedidos a partir de 2009. Na minha visão, caso a exigência do diploma seja restabelecida, é legítimo discutir a revisão dos registros concedidos sem a devida comprovação de formação superior em Jornalismo. Essa discussão também precisa alcançar o mercado de comunicação.
É fundamental que portais, veículos de comunicação e empresas que contratam jornalistas compreendam a responsabilidade envolvida nessa atividade. Não basta saber escrever ou publicar uma informação nas redes sociais. O trabalho jornalístico exige ética, profissionalismo, responsabilidade, compromisso com a verdade possível dos fatos e, acima de tudo, respeito ao cidadão que recebe aquela informação.
Vivemos em um período em que a desinformação se espalha rapidamente e qualquer pessoa pode produzir e distribuir conteúdo. Justamente por isso, acredito que o Jornalismo profissional precisa ser ainda mais valorizado.
Não quero desmerecer quem construiu uma trajetória profissional sem diploma durante o período em que a exigência deixou de existir. Existem profissionais experientes e comprometidos que contribuíram e continuam contribuindo para a comunicação brasileira. O que defendo é que o país estabeleça critérios claros para o futuro da profissão.
Precisamos de uma discussão que valorize quem estudou, quem se preparou, quem exerce o Jornalismo com ética e quem entende que informar é também assumir responsabilidade diante da sociedade. O diploma, para mim, não representa apenas um pedaço de papel. Representa formação, conhecimento, preparação profissional e compromisso com uma atividade essencial para a democracia.
Por isso, acredito que a retomada dessa discussão pelo STF é uma oportunidade para que o Brasil também discuta o futuro do Jornalismo, estabelecendo regras modernas, justas e capazes de valorizar verdadeiramente os profissionais da área.
Que a luta continue. Que essa retomada seja feita com responsabilidade, justiça e respeito a todos os lados. Mas que, sobretudo, ela reconheça quem passou anos sentado nos bancos de uma faculdade, estudando, se preparando e escolhendo o Jornalismo como profissão.
Porque quando desvalorizamos o jornalista profissional, não perdemos apenas uma categoria. Perdemos qualidade na informação, enfraquecemos o debate público e colocamos em risco um dos pilares da democracia: o direito da sociedade de ser bem informada.
Diploma não é privilégio. É preparação. Jornalismo não é apenas comunicar. É assumir responsabilidade pelo que se coloca diante dos olhos de uma sociedade.

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