Texto e foto: Por Islânia Lima
Décadas passaram e hoje infelizmente, o Igarapé da Cachoeirinha não lembra mais o espaço que respirava águas limpas e correntes, de antes. O que se vê é uma imensa cachoeira de lama e muita sujeira, que escorrem embaixo das palafitas, ou seja, construções de casas de madeiras feitas com estrutura de troncos de árvores, para evitar que assim suspensas, não sejam levadas pelas correntezas.
Quem testemunhou um período melhor que o atual cenário foi a dona de casa Patriolina Tavares, de 40 anos, moradora no Beco Nonato, lugar cercado de palafitas e pontes de madeiras que tem como quintal um imenso rio de lama e água poluída do igarapé da Cachoeirinha.
O mau cheiro e a identidade visual do lugar, que possui muito lixo, é uma das situações que mais incomoda a antiga moradora. “Um neto meu já caiu nessa água poluída e ficamos assustados, também tem a questão da saúde, porque volta e meia estamos doentes por aqui. É uma vida triste e que esperamos melhorias”, confessou.
O igarapé do beco Nonato recebe três tipos de resíduos: a água que vem suja dos sanitários das casas, das pias e também o lixo jogado pelos próprios moradores na área. Além de poluir o igarapé, o lixo ainda entope bueiros e causa alagamentos, trazendo mais doenças e até animais peçonhentos, para dentro das casas dos moradores.
A engenheira ambiental, Mayza Angst explica que o lançamento de lixo e resíduos diretamente nos igarapés podem causar transtornos físicos, químicos e biológicos ao meio ambiente. “Isso altera e muito a qualidade ambiental dos corpos híbridos, afetando a natureza. Nós seres humanos sofremos as mesmas alterações, refletido em doenças. ”, explicou.
O aposentado Antônio Pereira, de 69 anos, mora sozinho há quatro meses, em um casebre de madeira com três cômodos, na entrada do Beco Nonato. Carpinteiro aposentado, antes de morar na área, vivia na Betânia e mudou-se para o beco, devido à proximidade com um familiar vizinho, que cuida dele. Durante a apuração da reportagem, o senhor observava uma obra da varanda de casa, com olhar de esperança em dias melhores. “Acho que com a conclusão dessa obra o mau cheiro vai parar de vir para dentro da minha casa de esgoto, né? ”, interrogou o idoso.
NOVA VIDA EM 2023
A obra que o senhor Antônio observava é uma das mais aguardadas pelos cerca de 900 moradores. Trata-se do projeto-piloto inédito na capital da concessionária Águas do Amazonas, que garantirá a ele e a todos os moradores um esgoto tubulação e tratado.
A estrutura que está sendo implementada tem aproximadamente 350 metros de tubulações de rede coletora. Esta é a primeira obra de esgotamento em uma região de palafitas na capital do Amazonas. A obra deu início na área no mês de agosto, com a análise da empresa em cada casa, logo após foi feita a implantação das redes coletoras, para que assim as redes ficassem concentradas em interligação.
Segundo a concessionária Águas do Amazonas, a área foi escolhida para ser a primeira a receber a rede de esgotamento por ser simbólica em ações da empresa.
Entre os principais desafios enfrentados pelos trabalhadores na obra está o entendimento sobre as particularidades de cada casa. Por ser uma área de palafitas, as estruturas variam. Além disso, o trabalho em si, pondera tanto no período da cheia, quanto na vazante, influenciando na estrutura da obra.
Adilon de Almeida é o supervisor da Águas do Amazonas, responsável pela obra no Beco Nonato. Para ele o serviço é algo inovador. “Não medimos esforços para executar esse trabalho todos os dias. Trabalho há 11 anos com saneamento e esse é o projeto mais desafiador para mim. É uma grande honra participar desse trabalho. Fico muito feliz de abraçar essa causa com a equipe empenhada em levar dignidade à população, e o retorno que estamos recebendo é muito gratificante”, finalizou.
Ainda segundo a empresa, a previsão é que o sistema de esgoto esteja operando no local por completo no primeiro semestre de 2023. Todos os efluentes coletados no Beco Nonato vão percorrer cerca de três quilômetros de tubulações, até chegarem na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Educandos, onde passará por todos os processos de tratamento e desinfecção, antes de ser devolvido para o rio Negro.
2023 os moradores do Beco Nonato, terão uma vida nova e não sofrerão mais com mau cheiro, doenças, além de claro, dar um alívio para a natureza, que respira poluição atualmente. A empresa também tem realizado campanhas de conscientização com os moradores, para que se evite jogar lixo no igarapé.


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